Funcionários das áreas de segurança e limpeza do HC de SP foram sete vezes mais infectados do que médicos de UTI de Covid

Funcionários das áreas de segurança e limpeza do HC de SP foram sete vezes mais infectados do que médicos de UTI de Covid

Os dados fazem parte do inquérito sorológico feito com cinco mil funcionários do HC para mapear os riscos de contaminação dentro do ambiente hospitalar. Segundo o HC, o estudo ainda segue em andamento e aguarda publicação.

De acordo com o levantamento, apenas 6% dos profissionais que trabalham nas UTIs e têm contato direto com os doentes já foram infectados.

Entretanto, 45% dos funcionários de setores como os de limpeza e segurança já contraíram o vírus.

O professor Aluisio Segurado, responsável pela pesquisa, afirma que a maior frequência observada está associada a fatores externos, como deslocamento para o trabalho, local de residência e número de pessoas que habitam a mesma residência, que se mostraram de risco maiores do que o próprio trabalho em um ambiente hospitalar.

“O estudo mostra uma hipótese que a gente já tinha, que tem mais infecções na populações socialmente mais vulneráveis. A taxa de infecção não está tão relacionada com o local de trabalho. Está mais associada com a renda, escolaridade, condições de moradia”, afirma o professor.

Dentro de casa

A pesquisa também apresenta a relação direta entre a taxa de infecção e a quantidade de pessoas que moram na mesma casa.

“Quanto maior o número de pessoas que mora na residencia do profissional, maior a taxa de infecção Casas com quatro ou mais pessoas tinham o dobro da taxa de infeção dos profissionais que moram sozinhos”, revela o pesquisador.

Outro recorte que chamou a atenção de Segurado foi a baixa prevalência da infecção em funcionários com mais de 60 anos.

De acordo com o professor, por pertencerem ao grupo de risco, a diretoria do hospital determinou, ainda no início da pandemia, que eles fossem deslocados para setores de trabalho com menores chances de contágio.

Apenas 6% dos profissionais com 60 anos ou mais foram infectados. Já nas outras faixas, a prevalência oscilou entre 12 e 15%.

“O dado que veio reforçou que as medidas de proteção que estamos fazendo estão corretas”, avalia o pesquisador.

Ainda de acordo com Segurado, embora o mapeamento tenha sido feito em maio, ele permanece sendo realizado com os funcionários que, na ocasião, não tiveram contato com o vírus.

“Dos cinco mil que foram testados, aqueles que eram negativos em maio continuaram a ser testados nos outros meses”, afirma.

O estudo também tenta identificar a prevalência nos outros institutos do HC – o que elevará o número de testados para 15 mil funcionários – em setores teoricamente com baixa exposição à doença. Os dados ainda estão sendo analisados pelos pesquisadores.

Influência do transporte

Pesquisa divulgada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) no início de agosto apontou que os usuários do transporte público estão entre as maiores vítimas do coronavírus na cidade de São Paulo.

Na ocasião, os pesquisadores cruzaram os dados de mortes nos 96 distritos da capital com o perfil dos usuários do transporte público, compilados na última Pesquisa de Origem e Destino realizada pelo Metrô, que inclui profissão, meios de transporte utilizados e o tempo de viagem.

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